Dinorah, Dinorah

Dinorah, Dinorah

Pois aqui vai “Dinorah, Dinorah”.
A melodia foi composta primeiro, no final de 1976, num piano Gaveau, na casa de Dona Edith, minha ex-sogra, usando um gravador National de teclas. A velha guarda deve lembrar.
Fazendo a melodia, sempre me vinha a frase “Ah, Dinorah, Dinorah”.
Sempre achei esse nome sonoro e me fazia lembrar uma vocalista de um trio vocal, de estúdios, chamado “As Gatas”.
Bem, mostrei a melodia para Vitor Martins, meu parceiro. Passou-se uma semana ou mais e nada de letra. O Vitor não achava a letra. Um dia, estávamos num botequim, na Rua Santa Luzia, na Cinelândia, quando ouvimos lá no final do estabelecimento uma voz de um malandro contando uma aventura amorosa meio escabrosa para uma plateia de uns quatro ou cinco encantados. Ele com uma mulher linda e sem uma perna. O Vitor virou pra mim e disse: Achei a Dinorah.
Mas aí, sugeriu que o tal malandro estava mentindo e que a moça era tão somente uma mulher de calendário, num pôster na porta de seu armário, com as duas pernas e que ele fazia uma homenagem manual a ela, antes de sair para o botequim. Forjava uma marca de batom na lapela e lá, ia ele pra botar inveja nos amigos.
Delírio? Sim, mas não impossível.
Coisas do bruxo Vitor Martins.
Abraços,

Ivan